Pirá pytá quer dizer "peixe vermelho" em guarani: pira, peixe, e pytã, vermelho, pelas nadadeiras e pela cauda. É o mesmo peixe que na Argentina chamam de pirapitá, salmón del Paraná ou salmón de río, e que no Brasil se chama piracanjuba. O nome científico é Brycon orbignyanus, da família dos bríconos (Bryconidae), que até pouco tempo era classificada entre os caracídeos.
Não é um salmão, embora o corpo alongado, o brilho prateado e a briga expliquem o apelido: corre, salta e solta o anzol no ar. É um dos peixes que se buscam com mosca na bacia do Prata, e um dos mais escassos.
Como distinguir do dourado
De longe se parecem na briga e nas nadadeiras e cauda avermelhadas, embora o dourado seja dourado e o pirá pytá, prateado. A diferença certa está na boca. O dourado tem os dentes cônicos e uniformes, de caçador; a piracanjuba tem dentes com várias pontas, sobretudo os da frente, feitos para triturar frutas e sementes. Quem abre a boca do peixe sabe na hora.
Outra confusão frequente no Brasil: a piraputanga do Pantanal é outra espécie do mesmo gênero (Brycon hilarii). Parece, mas não é o peixe desta nota. Nas bacias do Paraná e do Uruguai, o Brycon grande é a piracanjuba, o pirá pytá.
Quanto mede e o que come
As fêmeas chegam a 80 centímetros e a 8 ou 10 quilos; os machos são menores, uns 60 centímetros e 3,5 quilos. No Paraná, um exemplar que passa dos 50 centímetros e dos 6 quilos já é um peixe grande.
Come o que cai na água: frutas, sementes e insetos, e de vez em quando um peixe pequeno. Isso explica duas coisas: que ande perto da margem, embaixo das árvores carregadas, e que se pesque com imitações de fruta e com mosca, além de iscas pequenas. No guia a técnica está anotada como fly e iscas pequenas.
É um peixe fecundo: uma fêmea madura estudada no Paraná carregava quase 695.000 óvulos. Se está escasso não é por botar poucos ovos, e sim por faltarem os rios abertos e as margens com mata de que precisa para se reproduzir.
Quando se pesca no Paraguai
A temporada cadastrada no guia é primavera e verão. É um peixe migrador: no fim do inverno começa a subir o rio, e desova com a cheia, entre novembro e janeiro conforme o ano e o trecho. Nos meses anteriores está ativo e comendo, que é quando se pesca. Novembro cai dentro do defeso, então na prática são duas janelas: a da primavera antes do defeso e a do verão depois. O mês a mês, com o defeso marcado, está em o calendário mês a mês.
Onde se pesca
No guia aparece em 2 regiões: Ayolas y Corredor Paraná e Concepción. A primeira é o Paraná abaixo de Yacyretá; a segunda, o rio Paraguai no norte. A ficha da espécie tem os lodges e guias que trabalham com ele: Pirá pytá.
Há um dado paraguaio que vale conhecer: a Estação de Piscicultura de San Cosme y Damián, da Entidade Binacional Yacyretá, produz alevinos de salmão de rio junto com boga, pacu, surubi e dourado, para repovoar o reservatório e a bacia. Um organismo criá-lo diz o quanto é valorizado e o quanto custou que ficasse escasso.
Um peixe com clube próprio
Em frente a Encarnación, em Posadas, há um clube de pesca e náutica que leva o nome dele: o Club Pirá Pytá. Toda primavera organiza as 20 Horas de Pesca, uma maratona embarcada de pesca variada com devolução total que já passou das 49 edições e na qual o salmão está entre as espécies que mais pontuam. É a medida do que este peixe significa no Paraná: deram o nome dele a um clube, e o torneio do clube devolve tudo o que tira.
Por que vale soltar
O pirá pytá consta como espécie em perigo na Lista Vermelha da IUCN e na lista oficial de espécies ameaçadas do Brasil. As causas estão documentadas: as barragens cortaram as rotas de desova, o desmatamento das margens tirou as árvores de que ele come, e a pesca intensiva fez o resto. No Brasil as populações selvagens ficaram restritas a poucos rios longe das cidades. Na Argentina, os Parques Nacionais o consideram espécie de valor especial em uma de suas áreas protegidas.
No Paraguai valem a licença do MADES e o defeso anual, e a tabela de tamanhos mínimos que publicamos (licença, defeso e tamanhos) não cita o pirá pytá: não há uma medida que obrigue a soltar o pequeno. Nós dizemos o que os lodges sérios dizem do dourado: foto e de volta à água. Um peixe que demora a crescer e que já está escasso não vai para a churrasqueira.
O que você não vai encontrar aqui: a isca, a linha nem "o melhor poço". Isso muda com o nível do rio e com a época, e o guia que te leva sabe melhor do que nós. O que sim: a altura do rio, atualizada todos os dias, em o nível do rio hoje.
Perguntas frequentes
Que peixe é o pirá pytá?
Um peixe da bacia do Prata, Brycon orbignyanus, parente do dourado no formato mas não na dieta: come frutas, sementes e insetos. Na Argentina se chama pirapitá ou salmón del Paraná, e no Brasil piracanjuba. O nome guarani significa "peixe vermelho", pelas nadadeiras e pela cauda.
Quanto mede e quanto pesa?
As fêmeas chegam a 80 centímetros e a 8 ou 10 quilos; os machos a uns 60 centímetros e 3,5 quilos. No Paraná, um de mais de 50 centímetros e 6 quilos já é um exemplar grande.
É o mesmo que a piracanjuba e que a piraputanga?
A piracanjuba sim: é o nome brasileiro do mesmo peixe. A piraputanga do Pantanal não: é outra espécie do mesmo gênero, Brycon hilarii.
Quando se pesca no Paraguai?
A temporada é primavera e verão. Como novembro cai dentro do defeso anual do MADES, sobram duas janelas: a primavera antes do defeso e o verão depois. O calendário mês a mês está em o calendário mês a mês.
Onde se pesca no Paraguai?
No guia aparece em 2 regiões: Ayolas y Corredor Paraná e Concepción. Os lodges e guias que trabalham com ele estão na ficha da espécie: Pirá pytá.
Tem tamanho mínimo no Paraguai?
A tabela de tamanhos mínimos do MADES que publicamos não cita o pirá pytá. Pela situação de conservação (em perigo), o sensato é soltar mesmo sem uma medida que obrigue.
Com o que se pesca?
Com mosca e iscas pequenas, e na isca natural com frutas, como fazem os pescadores de barranco do Paraná. O equipamento exato é decisão do guia, conforme o rio e a época.
- Wikipedia, "Brycon orbignyanus" (español y portugués)
- SIB, Parques Nacionales de Argentina: pirapitá, salmón del Paraná
- Primera Edición (Misiones), "Peces del río Paraná: pira pytá o salmón de río"
- Panorama da Aquicultura, "O gênero Brycon"
- Scientific Reports (2018), panel de microsatélites de Brycon orbignyanus: estado en la Lista Roja de la UICN y en la lista brasileña
- ICMBio, Biodiversidade Brasileira: "Conservation status of the Piracanjuba"
- Entidad Binacional Yacyretá, Estación de Piscicultura de San Cosme y Damián
- MisionesOnline y Deportes Misiones, las 20 Horas de Pesca del Club Pirá Pytá
- MADES, resolución de veda 2025-2026 y tarjeta de tallas mínimas de la guía