Pescaria no Paraguai: guia para brasileiros

Documentos, licença, defeso, os nomes dos peixes e as regiões mais perto da fronteira, com 121 lugares verificados um por um.

Publicado em 17 de setembro de 2026

EntradaRG ou passaporte válidos e em bom estado; a CNH não serve como identidade. Carimbo de migração obrigatório. De carro: documentos do veículo, CNH física e Carta Verde
LicençaDo MADES, obrigatória: dois jornais mínimos. O lodge providencia, ou se tira on-line; veja a licença passo a passo
DefesoComeça nos primeiros dias de novembro: em águas com o Brasil, até 31 de janeiro do ano seguinte; com a Argentina e nos rios internos, até 20 de dezembro
Tamanhos mínimosDourado 75 cm, surubi 85 cm, pacu 45 cm, pirá pytá 45 cm, boga 45 cm, patí 70 cm
As espécies8: dourado, surubi (pintado e cachara), pacu, pirá pytá (piracanjuba), boga, traíra, patí e piranha
Mais perto da fronteiraCiudad del Este, Concepción, Vallemí e o Pantanal de Bahía Negra; no Paraná, Cerrito e Ayolas
Barcos hotel3 na guia, um deles operado por uma empresa brasileira
MoedaGuarani (Gs.). Os preços estão em cada ficha

O Paraguai divide com o Brasil dois dos rios mais pescados da América do Sul: o Paraná, que faz a fronteira com o estado do Paraná, e o rio Paraguai, que desce do Pantanal fazendo a fronteira com o Mato Grosso do Sul. Do lado paraguaio se pesca o mesmo dourado, o mesmo pintado e o mesmo pacu, mas com outras regras: outra licença, outras datas de defeso e tamanhos mínimos próprios. Este guia junta o que muda para quem cruza a fronteira, com a fonte de cada dado. A guia inteira, com 121 lodges, pousadas, guias e barcos verificados um por um, está em português.

Antes de sair: documentos

Brasileiro não precisa de visto. Precisa de um documento de identidade vigente e em bom estado: RG ou passaporte. A CNH e as carteiras profissionais não servem como identidade na fronteira, segundo o Consulado do Brasil em Assunção. O carimbo de entrada da Dirección Nacional de Migraciones é obrigatório, mesmo nas pontes onde ninguém para o carro: quem não tem o comprovante de entrada, ou passa do prazo, paga uma multa de Gs. 618.546 (cerca de R$ 450) ao sair. Como turista, a permanência vai até 90 dias, prorrogáveis uma vez.

Menores viajando sem os dois pais precisam da autorização de viagem com firma reconhecida. E quem sai do Amazonas, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio Grande do Sul ou de Roraima precisa apresentar o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, com a vacina tomada pelo menos dez dias antes.

De carro, a lista é maior: documentos do veículo (CRLV), CNH física, porque a versão digital não é aceita, e a Carta Verde, o seguro internacional obrigatório do Mercosul. Se o motorista não é o dono, procuração pública apostilada. O consulado lista ainda o que o carro deve levar: cinto para todos, extintor válido, kit de primeiros socorros, macaco, estepe e dois triângulos.

A licença de pesca do MADES

Para pescar em águas paraguaias é preciso ter a licença de pesca esportiva do MADES, o ministério do meio ambiente, mesmo em lagoas e açudes. O trâmite é o mesmo para paraguaios e estrangeiros: fotocópia do documento com que você entrou no país e duas fotos tipo carnê, com o formulário de "Solicitud de Pesca" do Registro de Pesca y Pescadores. Custa dois jornais mínimos (algo entre 200 e 240 mil guaranis, conforme o jornal vigente). Quem leva o próprio barco registra a embarcação à parte, por um jornal, com o título da Prefectura General Naval.

O carnê se tira na sede do MADES em Assunção, nos escritórios regionais de Pilar, Ayolas, Ciudad del Este, Encarnación, San Juan e Concepción, ou on-line pelo SIAM, o sistema do ministério, com pagamento pela rede Bancard. Na prática, muitos lodges e guias tiram a licença para os hóspedes: pergunte ao reservar e peça o comprovante antes de viajar. Pescar sem licença tem multa, e é alta. O passo a passo, com o formulário e os valores que o ministério publica, é este: a licença passo a passo.

Defeso: as datas não são as do Brasil

A piracema brasileira tem calendário próprio, e ele não vale do lado paraguaio. O que vale é o defeso que o MADES decreta todo ano, em outubro, para a pesca esportiva e comercial. O padrão é começar nos primeiros dias de novembro. Nas águas compartilhadas com o Brasil o defeso vai até 31 de janeiro do ano seguinte; nas compartilhadas com a Argentina e nos rios, arroios e lagoas internos do país, até 20 de dezembro. Ou seja: no Paraná acima de Itaipu e no rio Paraguai ao norte, o defeso é mais longo do que em Ayolas ou em Pilar.

Ter licença não libera pescar no defeso: Multa de 3.001 a 20.000 jornais mínimos, hoje Gs. 351 a 2.342 milhões. Antes de fechar uma viagem entre novembro e janeiro, confira a resolução do ano em mades.gov.py. O mês a mês, com o defeso marcado: o calendário mês a mês.

Tamanhos mínimos e pesque e solte

Nos trechos do Paraná e do rio Paraguai compartilhados com a Argentina vale o Regulamento Unificado de Pesca do convênio Argentina-Paraguai (Ituzaingó, 2000), medido em comprimento total, do focinho à ponta da cauda: dourado 75 cm, surubi pintado 85 cm, surubi atigrado (a cachara) 80 cm, pacu 45 cm, pirá pytá 45 cm, boga 45 cm e patí 70 cm. É a referência que a guia usa em todas as zonas. O que estiver abaixo volta para a água. A maioria dos lodges sérios pratica o pesque e solte do dourado, e alguns torneios, como o da raia em Carmen del Paraná, são inteiros com devolução.

Os peixes, com os nomes daqui

Por onde entrar e as regiões mais perto

Pela Ponte da Amizade (Foz do Iguaçu a Ciudad del Este) se chega à zona de Ciudad del Este, na tríplice fronteira, com clubes náuticos e pesca no reservatório de Itaipu: 4 lugares. Ciudad del Este. A Ponte da Integração, entre Foz e Presidente Franco, abriu por etapas desde dezembro de 2025; em setembro de 2026 só cruzavam veículos de passeio de moradores fronteiriços cadastrados, então confira o que já é permitido antes de contar com ela.

Por Ponta Porã e Pedro Juan Caballero se entra no norte: Concepción, a porta fluvial do rio Paraguai, com surubis grandes nos poços e o porto de onde saem os barcos hotel para o Pantanal (11 lugares, Concepción), e Vallemí e San Lázaro, na confluência com o Apa (8 lugares, Vallemí y San Lázaro).

O Pantanal paraguaio é a zona de Bahía Negra, no extremo norte: chega-se de avião pequeno ou de barco pelo rio Paraguai a partir de Concepción, e por isso se pesca em expedição. 3 lugares. Bahía Negra y Pantanal.

No Paraná abaixo de Yacyretá ficam as zonas clássicas do dourado: Ayolas e Coratei, onde umas quinhentas pessoas vivem de guiar pescadores (24 lugares, Ayolas y Corredor Paraná), Cerrito, ímã de pescadores brasileiros há décadas, com praias de areia branca e pousadas com lanchas (10 lugares, Cerrito), e Paso de Patria, na confluência do Paraná com o Paraguai (7 lugares, Paso de Patria). Encarnación, sobre o reservatório de Yacyretá, é a cidade dos clubes que organizam boa parte dos torneios (8 lugares, Encarnación y San Cosme). As doze regiões, rio por rio: as regiões de pesca.

Barcos hotel

A guia tem 3 barcos hotel, em que se dorme, se come e se pesca a bordo. O Pérola do Iguaçu navega o Paraná em águas paraguaias e argentinas saindo de Ayolas e é operado pela Interação Turismo, do Brasil, com atendimento em português. O Rejane tem base em Humaitá, no rio Paraguai, entre Paso de Patria e Pilar. E o Siete Cabrillas sai do porto de Concepción rumo ao norte, em expedições de duas a sete noites, até a Estação Biológica Tres Gigantes, em Bahía Negra, nas saídas longas. Os três: os barcos hotel.

Torneios abertos

A guia lista 14 torneios, e vários levam "internacional" no nome: o do Dourado e Variada, em Ayolas, que faz a 24ª edição em 27 de setembro de 2026; o de Semana Santa, em Pilar, o mais antigo do país, com 55 edições em 2026; e o de Bella Vista, em Itapúa, com mais de cinquenta anos. Datas, sedes e telefones de inscrição: os torneios.

Dinheiro e contato

A moeda é o guarani. Os preços da guia estão em cada ficha, na moeda em que o prestador cobra, e a maioria das fichas tem o botão de WhatsApp do próprio lodge ou guia: você fala direto com quem vai te levar ao rio, sem intermediário. A guia não cobra nada de ninguém. E antes de sair, confira o nível do rio hoje: o nível oficial das onze estações do rio, todos os dias.

O que não está aqui, de propósito: câmbio, preços e "o melhor lodge". Também não estão as regras brasileiras para trazer pescado de volta, que não verificamos: pergunte na Receita e no Ibama antes de cruzar com peixe.

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de passaporte para pescar no Paraguai?

Não. Basta o RG válido e em bom estado, ou o passaporte. A CNH não serve como documento de identidade na fronteira. O carimbo de entrada de Migraciones é obrigatório: sem ele há multa na saída.

Precisa de licença de pesca no Paraguai?

Sim, a licença de pesca esportiva do MADES. Custa dois jornais mínimos e pede fotocópia do documento e duas fotos. Muitos lodges tiram para os hóspedes; o passo a passo: a licença passo a passo.

O defeso do Brasil vale no Paraguai?

Não. Do lado paraguaio vale o defeso do MADES, que começa nos primeiros dias de novembro e, nas águas compartilhadas com o Brasil, vai até 31 de janeiro do ano seguinte. Nas águas com a Argentina e nos rios internos, até 20 de dezembro.

Posso levar meu barco para o Paraguai?

A licença do MADES prevê o registro da embarcação própria, à parte, por um jornal mínimo, com o título da Prefectura General Naval. Para o carro valem os documentos de sempre, a CNH física e a Carta Verde.

Quais são as regiões de pesca mais perto do Brasil?

Ciudad del Este, pela Ponte da Amizade; Concepción e Vallemí, por Pedro Juan Caballero; o Pantanal de Bahía Negra, no extremo norte; e, no Paraná abaixo de Yacyretá, Cerrito e Ayolas. As doze: as regiões de pesca.

Tem barco hotel no Paraguai?

A guia tem 3: o Pérola do Iguaçu, saindo de Ayolas e operado por uma empresa brasileira; o Rejane, em Humaitá; e o Siete Cabrillas, de Concepción ao Pantanal. Os três: os barcos hotel.

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Pira Experience, o guia da pesca esportiva no Paraguai