O Paraguai divide com o Brasil dois dos rios mais pescados da América do Sul: o Paraná, que faz a fronteira com o estado do Paraná, e o rio Paraguai, que desce do Pantanal fazendo a fronteira com o Mato Grosso do Sul. Do lado paraguaio se pesca o mesmo dourado, o mesmo pintado e o mesmo pacu, mas com outras regras: outra licença, outras datas de defeso e tamanhos mínimos próprios. Este guia junta o que muda para quem cruza a fronteira, com a fonte de cada dado. A guia inteira, com 121 lodges, pousadas, guias e barcos verificados um por um, está em português.
Antes de sair: documentos
Brasileiro não precisa de visto. Precisa de um documento de identidade vigente e em bom estado: RG ou passaporte. A CNH e as carteiras profissionais não servem como identidade na fronteira, segundo o Consulado do Brasil em Assunção. O carimbo de entrada da Dirección Nacional de Migraciones é obrigatório, mesmo nas pontes onde ninguém para o carro: quem não tem o comprovante de entrada, ou passa do prazo, paga uma multa de Gs. 618.546 (cerca de R$ 450) ao sair. Como turista, a permanência vai até 90 dias, prorrogáveis uma vez.
Menores viajando sem os dois pais precisam da autorização de viagem com firma reconhecida. E quem sai do Amazonas, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio Grande do Sul ou de Roraima precisa apresentar o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, com a vacina tomada pelo menos dez dias antes.
De carro, a lista é maior: documentos do veículo (CRLV), CNH física, porque a versão digital não é aceita, e a Carta Verde, o seguro internacional obrigatório do Mercosul. Se o motorista não é o dono, procuração pública apostilada. O consulado lista ainda o que o carro deve levar: cinto para todos, extintor válido, kit de primeiros socorros, macaco, estepe e dois triângulos.
A licença de pesca do MADES
Para pescar em águas paraguaias é preciso ter a licença de pesca esportiva do MADES, o ministério do meio ambiente, mesmo em lagoas e açudes. O trâmite é o mesmo para paraguaios e estrangeiros: fotocópia do documento com que você entrou no país e duas fotos tipo carnê, com o formulário de "Solicitud de Pesca" do Registro de Pesca y Pescadores. Custa dois jornais mínimos (algo entre 200 e 240 mil guaranis, conforme o jornal vigente). Quem leva o próprio barco registra a embarcação à parte, por um jornal, com o título da Prefectura General Naval.
O carnê se tira na sede do MADES em Assunção, nos escritórios regionais de Pilar, Ayolas, Ciudad del Este, Encarnación, San Juan e Concepción, ou on-line pelo SIAM, o sistema do ministério, com pagamento pela rede Bancard. Na prática, muitos lodges e guias tiram a licença para os hóspedes: pergunte ao reservar e peça o comprovante antes de viajar. Pescar sem licença tem multa, e é alta. O passo a passo, com o formulário e os valores que o ministério publica, é este: a licença passo a passo.
Defeso: as datas não são as do Brasil
A piracema brasileira tem calendário próprio, e ele não vale do lado paraguaio. O que vale é o defeso que o MADES decreta todo ano, em outubro, para a pesca esportiva e comercial. O padrão é começar nos primeiros dias de novembro. Nas águas compartilhadas com o Brasil o defeso vai até 31 de janeiro do ano seguinte; nas compartilhadas com a Argentina e nos rios, arroios e lagoas internos do país, até 20 de dezembro. Ou seja: no Paraná acima de Itaipu e no rio Paraguai ao norte, o defeso é mais longo do que em Ayolas ou em Pilar.
Ter licença não libera pescar no defeso: Multa de 3.001 a 20.000 jornais mínimos, hoje Gs. 351 a 2.342 milhões. Antes de fechar uma viagem entre novembro e janeiro, confira a resolução do ano em mades.gov.py. O mês a mês, com o defeso marcado: o calendário mês a mês.
Tamanhos mínimos e pesque e solte
Nos trechos do Paraná e do rio Paraguai compartilhados com a Argentina vale o Regulamento Unificado de Pesca do convênio Argentina-Paraguai (Ituzaingó, 2000), medido em comprimento total, do focinho à ponta da cauda: dourado 75 cm, surubi pintado 85 cm, surubi atigrado (a cachara) 80 cm, pacu 45 cm, pirá pytá 45 cm, boga 45 cm e patí 70 cm. É a referência que a guia usa em todas as zonas. O que estiver abaixo volta para a água. A maioria dos lodges sérios pratica o pesque e solte do dourado, e alguns torneios, como o da raia em Carmen del Paraná, são inteiros com devolução.
Os peixes, com os nomes daqui
- Dourado: o mesmo Salminus brasiliensis. Temporada: o ano todo fora do defeso; o melhor, de março a maio e de agosto a outubro.
- Surubi: é como chamam tanto o pintado (P. corruscans) quanto a cachara, que os regulamentos chamam de P. fasciatum. Temporada: o ano todo (fora do defeso); de junho a setembro se concentra nos poços fundos.
- Pacu: temporada no Paraná, verão (dezembro a março); no Pantanal e no alto rio Paraguai, águas baixas de julho a outubro.
- Pirá pytá: é a piracanjuba, Brycon orbignyanus. Não confundir com a piraputanga do Pantanal, B. hilarii, que é outra espécie. Temporada: primavera e verão; o melhor, no verão.
- Boga, Traíra, Patí e Piranha completam as 8 espécies da guia.
Por onde entrar e as regiões mais perto
Pela Ponte da Amizade (Foz do Iguaçu a Ciudad del Este) se chega à zona de Ciudad del Este, na tríplice fronteira, com clubes náuticos e pesca no reservatório de Itaipu: 4 lugares. Ciudad del Este. A Ponte da Integração, entre Foz e Presidente Franco, abriu por etapas desde dezembro de 2025; em setembro de 2026 só cruzavam veículos de passeio de moradores fronteiriços cadastrados, então confira o que já é permitido antes de contar com ela.
Por Ponta Porã e Pedro Juan Caballero se entra no norte: Concepción, a porta fluvial do rio Paraguai, com surubis grandes nos poços e o porto de onde saem os barcos hotel para o Pantanal (11 lugares, Concepción), e Vallemí e San Lázaro, na confluência com o Apa (8 lugares, Vallemí y San Lázaro).
O Pantanal paraguaio é a zona de Bahía Negra, no extremo norte: chega-se de avião pequeno ou de barco pelo rio Paraguai a partir de Concepción, e por isso se pesca em expedição. 3 lugares. Bahía Negra y Pantanal.
No Paraná abaixo de Yacyretá ficam as zonas clássicas do dourado: Ayolas e Coratei, onde umas quinhentas pessoas vivem de guiar pescadores (24 lugares, Ayolas y Corredor Paraná), Cerrito, ímã de pescadores brasileiros há décadas, com praias de areia branca e pousadas com lanchas (10 lugares, Cerrito), e Paso de Patria, na confluência do Paraná com o Paraguai (7 lugares, Paso de Patria). Encarnación, sobre o reservatório de Yacyretá, é a cidade dos clubes que organizam boa parte dos torneios (8 lugares, Encarnación y San Cosme). As doze regiões, rio por rio: as regiões de pesca.
Barcos hotel
A guia tem 3 barcos hotel, em que se dorme, se come e se pesca a bordo. O Pérola do Iguaçu navega o Paraná em águas paraguaias e argentinas saindo de Ayolas e é operado pela Interação Turismo, do Brasil, com atendimento em português. O Rejane tem base em Humaitá, no rio Paraguai, entre Paso de Patria e Pilar. E o Siete Cabrillas sai do porto de Concepción rumo ao norte, em expedições de duas a sete noites, até a Estação Biológica Tres Gigantes, em Bahía Negra, nas saídas longas. Os três: os barcos hotel.
Torneios abertos
A guia lista 14 torneios, e vários levam "internacional" no nome: o do Dourado e Variada, em Ayolas, que faz a 24ª edição em 27 de setembro de 2026; o de Semana Santa, em Pilar, o mais antigo do país, com 55 edições em 2026; e o de Bella Vista, em Itapúa, com mais de cinquenta anos. Datas, sedes e telefones de inscrição: os torneios.
Dinheiro e contato
A moeda é o guarani. Os preços da guia estão em cada ficha, na moeda em que o prestador cobra, e a maioria das fichas tem o botão de WhatsApp do próprio lodge ou guia: você fala direto com quem vai te levar ao rio, sem intermediário. A guia não cobra nada de ninguém. E antes de sair, confira o nível do rio hoje: o nível oficial das onze estações do rio, todos os dias.
O que não está aqui, de propósito: câmbio, preços e "o melhor lodge". Também não estão as regras brasileiras para trazer pescado de volta, que não verificamos: pergunte na Receita e no Ibama antes de cruzar com peixe.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de passaporte para pescar no Paraguai?
Não. Basta o RG válido e em bom estado, ou o passaporte. A CNH não serve como documento de identidade na fronteira. O carimbo de entrada de Migraciones é obrigatório: sem ele há multa na saída.
Precisa de licença de pesca no Paraguai?
Sim, a licença de pesca esportiva do MADES. Custa dois jornais mínimos e pede fotocópia do documento e duas fotos. Muitos lodges tiram para os hóspedes; o passo a passo: a licença passo a passo.
O defeso do Brasil vale no Paraguai?
Não. Do lado paraguaio vale o defeso do MADES, que começa nos primeiros dias de novembro e, nas águas compartilhadas com o Brasil, vai até 31 de janeiro do ano seguinte. Nas águas com a Argentina e nos rios internos, até 20 de dezembro.
Posso levar meu barco para o Paraguai?
A licença do MADES prevê o registro da embarcação própria, à parte, por um jornal mínimo, com o título da Prefectura General Naval. Para o carro valem os documentos de sempre, a CNH física e a Carta Verde.
Quais são as regiões de pesca mais perto do Brasil?
Ciudad del Este, pela Ponte da Amizade; Concepción e Vallemí, por Pedro Juan Caballero; o Pantanal de Bahía Negra, no extremo norte; e, no Paraná abaixo de Yacyretá, Cerrito e Ayolas. As doze: as regiões de pesca.
Tem barco hotel no Paraguai?
A guia tem 3: o Pérola do Iguaçu, saindo de Ayolas e operado por uma empresa brasileira; o Rejane, em Humaitá; e o Siete Cabrillas, de Concepción ao Pantanal. Os três: os barcos hotel.
- Consulado-Geral do Brasil em Assunção, "Ingresso no Paraguai" (documentos, carimbo, menores, febre amarela, carro)
- MADES, página de trámites: licencia de pesca deportiva, requisitos y costos
- MADES, "Licencia de pesca es documento esencial" (22 abr 2019): oficinas regionales donde se expide el carnet
- MADES, "SIAM: trámites de pesca ya se podrán realizar de manera online" (26 may 2020)
- MADES, resolución de veda 2025-2026 (Res. 523/2025)
- Reglamento Unificado de Pesca, Convenio Argentina-Paraguay (Ituzaingó, 2000), art. 10: tallas mínimas
- Agência Gov, abertura da Ponte da Integração Brasil-Paraguai (dezembro de 2025)
- H2FOZ, quem pode passar pela Ponte da Integração em setembro de 2026
- Pira Experience, licencia de pesca paso a paso (lo que publica el MADES)
- Pira Experience, las doce zonas y sus lugares (cada ficha con sus fuentes)
- Pira Experience, barcos hotel y torneos (fichas de Pérola do Iguaçu, Rejane, Siete Cabrillas, Ayolas, Pilar y Bella Vista)